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Hoje, após mais uma balada com as amigas no carro de volta para casa, um pouco louca por um banho morno, as pernas pro alto e um descanso de 12 horas seguidas tão almejadas já me faziam lutar emancipadamente contra minha insônia.
Mas elas não paravam um segundo sequer. Tocavam sempre no mesmo assunto:
Eles. Homens. Assassinos do pouco romantismo que nos resta a cada vez que conhecemos um diferente.
Bom, ao menos era isso que elas queriam dar queixa, fazer um boletim de ocorrência e até mesmo prender o feitor por tal atrocidade. Eu não as tiro a razão em um segundo sequer, mas me deparo com um comentário que desperta muito meu interesse naquele instante.
" Amor é coisa de pobre! Rico tá ficando mais rico, viajando e se comendo!"
Aí eu não resisti e soltei um sorriso de escanteio. Mas o segundo logo em seguida, sem pausa ou hesitação saiu bem seguro de si mesmo. " Homem pra quê? Só se ele tiver muito volume... Principalmente na carteira!"
Ah! Aí foi demais. Acabei me deixando levar pelas gargalhadas instantaneamente maldosas mesmo me embaraçando toda por dentro. Dava pra sentir aquela ironia toda brotando por uma única razão:
Pertencia a quem estava na reta guarda, carregando certo tipo de revolta despercebida para que possamos sair a francesa e ainda ficar no salto sem que ele se quebre assim como nós por dentro. E só aí vai um longo processo de reconstituição.
Não acredito em toda essa especulação da guerra dos sexos ou de que mulheres são assim e homens são assado. Se bem que ultimamente tenho adorado deixá-los cozinhar em banho-maria pra ver se atingem o ponto.
A questão é que é tudo muito humano e isso sempre vai ser complicado. Há muita expectativa. Há aquilo o que se espera do outro. Sentimentos correspondidos ou não e sinceramente quem já teve algum relacionamento sabe muito bem como é.
Como dizia Clarice Lispector ou junta-se as imperfeições junto as perfeições e ama-se ou sabemos que há grandes chances de chegar a desconjuntura. Pois assim continuo a acreditar que nada tem a ver com o sexo.
Então nunca diga homens!
Diga, aquele homem!
Diga o que quiser. Chame-o de imaturo,
de cretino, aquele mesmo.
Mas generalizar não é saudável nessas situações.
Enfim! Não sei porque é tão difícil achar alguém que abrace a vida junto a nós, que te queira mesmo sabendo que você gosta de tomar o chá das cinco, que às vezes pode querer assistir ao ultimo capítulo da novela, que não estará perfeita com a lingerie mais sexy do mundo todos os dias, que faz manha também ou que gosta de ser bem tratada 24 horas por dia e tem dia que não quer ninguém no pé.
Já até pensei em tê-lo achado, mas isso nunca foi garantia de nada. Eles aparecem com uma sinopse atraente de como seria um relacionamento.Depois prepare pra se sentar e assista a si mesma em 2 anos. É deprimente como você se prende, se rende, luta, renega que está entregue mas acaba sendo inevitável. Você ama em cada detalhe alguém que vendeu muito bem seu peixe e não estava preparado para cuidar ou se entregar também. O que revolta é o lento processo de inércia dos sentimentos, é o quanto você estava quietinha e aí aparece um filho de Deus e lasca com a sua vida de novo.
Não nego que existam homens maravilhosos, já conhecí alguns mas dessa vez quem não acredita sou eu. Já estou vivendo famoso ditado " pegue mais não se apegue". Nada minha cara chegar nesse ponto, mas em certas fases devemos nos esforçar para ter amor próprio.
E aí me vem a terceira frase mais bruta jogada por mais uma de minhas companhias doidas!
" Depois que um filho da puta me deixou assim a única coisa que me interessa são os favores e ele enchendo a minha bola enquanto eu piso mais um pouquinho. Ah e por favor, de pobre já basta eu!."
Percebia que era uma crueldade crucial já que nós mulheres só assim nos recompomos e já que eles homens só parecem " engatar" nos maiores desafios.
Agora nem sei mais, acho que já estou sendo levada pela tal revolta despercebida.
E agora pra quem vai a culpa?
Cansei de escutar:
" Burrice! Como você pode estar sendo tão estúpida? Valorize-se!"
Mas no fundo ninguém entende que eu quero preservar o que há de puro ainda,
guardar o que conheço como amor e
acreditar nele sem deixar ele evaporar como as esperanças.
Mesmo atrás do orgulho que cobre os olhos, seda o coração e nos deixa em pé. Sei bem que todas nós temos a certeza de que se não tivessem matado nossa confiança, se ainda dormíssemos na mesma cama ou tivéssemos a mão que ainda deveria ser a unica a nos tocar. Estaríamos correndo para lá mesmo. Porque há um dono em cada espaço de dor.
Quando agente cai na real já pela manhã começando o dia virando rapidamente uma xícara de café, esperando que o dia seja cheio pra não ter que lembrar da luta constante entre o que agente sente com o que agente tem que ser. É tão contraditório, tão... tão asfixiante que sábias amigas talvez esse seja um caminho conveniente. Não sei por quanto tempo.
Perdoar, esquecer, continuar a sonhar, aonde isso vai nos curar?
Aliás, isso soa tão arrogante que posso comparar com a ridícula tentativa da perfeição de amor em fábulas.
Aqui é vida de gente grande então
vamos fazer disso um negócio recíproco e humano.
Se alguém errou, lamentavelmente continuou a errar e a me ferrar.
Porque eu sou a boa moça que ainda quer correr, pegar o telefone ligar todas as noites? Que ainda quer sofrer? Que acha que alguma coisa pode mudar? E fica no sofá chorando a cada filme que me serve como catarse?
Vem aí a minha favorita conclusão.
Se tudo o que sinto devo negar só para não querer tê-lo. Amar como? Se tudo o que sou de você, gasto no chocolate, nas tardes a toa, nas noitadas, no meu cigarro, no beijo de cada um deles, na pista de dança, no delírio doce, experimentando um pouco de fama e até mesmo outras mulheres.
Mesmo não querendo, precisei fazer pra ser um pouco daquilo que eu não precisava ser.
E sabe? Eu gostei.
