Descobri em mim formas bonitas, curvas gostosas, pele branca e boca vermelha. Porque afinal de contas, a gente tem sim que se achar bonita e se eu não me amar primeiro quem vai?
Descobri também uma paz quietinha e escondida lá no fundo na ultima vez que me olhei no espelho.
Gosto das minhas unhas curtinhas pintadas de vermelho, gosto do meu cabelo preto e fino batendo no rosto por causa do vento, mas gosto mesmo é do meu sorriso. Ele é impagável. Me bota de dentro pra fora. Bota toda aquela paixão, aquela alegria doida e tudo o que vem de um jeito espontâneo. Aí fico fazendo cara e bocas no retrovisor enquanto faço a maquiagem na correria.
Acho que quis tirar um dia só pra mim. Pra falar de mim como eu nunca pensei em falar.
Acho que andei me encontrando.
Mas eu sou assim mesmo, vivo me perdendo e me achando pelos cantos.
Todos esses sentimentos que a vida despeja em cima assim, de repente, nos obriga a virar gente e eu tentei ser uma das melhores. Sou dessas teimosas que vive de amor desenfrado.
Vou contar que brinquei de roleta russa e o tiro saiu pela culatra. Irônico e fatal.
Só eu mesma pra não abrir mão da fé.
Por isso procurei uma maneira de não sair batendo as portas, de não compartilhar a frustração com meu cachorro ou de não parar nos bares e acabar a noite em muita cerveja e uma bela gastrite atacada pela manhã. Afinal, menina como eu só, o que mais eu poderia fazer pra ficar de greve de todo mundo?
E pra não me revoltar com a vida e com amor? Se não acabaria banalizando tudo, chutaria o pau da barraca e condenaria todos os meus princípios. Então tenho que protestar sim. Fazer greve sim. Sucumbir também, mas de leve. Com moderação.
Sendo assim passo a sentir meu poder de liberdade acendendo um cigarro e me sentindo mais rebelde ainda por isso. Amo sentar na minha janela imensa que me cabe até com as pernas esticadas e deixar meus olhos se perderem pelas arvores que na minha santa ignorância nem sei especificar quais são. Mas o efeito é sempre buscar a Thaís em algum lugar pra colocá-la no seu devido lugar!
Logo percebo que não tem. Reparei em como tô refletida pelo mundo.
Na verdade eu sempre estive por aí.
Eu tô naquela instante da viagem que adoro encostar o rosto na janela do carro só pra ver um filme curto do mundo.
Eu tô por aí em todos os cds antigos, em todos o cheiro de antiguidade e shows bohemios tatuados no ar nostalgico na casa dos meu avós.
Eu sou por aí no prazer que só eu tenho de puxar o ar bem forte até me preencher toda com aquele cheiro de garagem que adoro dos prédios de São Paulo.
Sou a lembrança do perfume suave, sempre o mesmo, no lavabo da casa da praia.
E ainda tô lá nas praias de Sardenha, sendo a mesma criança com a boca suja de sanduíche de atum, rindo com a minha mãe e correndo pro mar toda despirocada.
Sou por aí, aquela que vai se empolgando nas festas com gente chique e elegante na casa do meu tio,
com jantares finos, vinho importado, roupas deslumbrantes e toda aquela muvuca e no final eu adoro é a minha hora, meu momento final que é chegar em casa, ficar com a roupa mais desgastada e larga, comer lanche que lambuza todos os dedos e me sentir com a maior preguiça feliz do mundo enquanto um bom filme me hipnotiza.
Sou cada pedacinho do mar, afinal é uma paixão inexplicável que rola entre nós dois. Eu toda cheia de mim tomo conta dele com a minha alma e ninguém entende.
Acho engraçado o jeito que assopro o café quente que nem bebê de dois anos. Fico rindo do meu lado besta. E rio também dos meus surtos, não ligo se alguém ver, achar que sou descontrolada, porque eu TÔ sim descontrolada e é porque eu gosto disso mesmo. Muito controle me faz mal. Me dá náuseas.
Eu sou irritante, inconseqüente, pareço tímida mas quando abro a boca, vai ter que ter uma santa paciência porque eu gosto de falar. Falar sobre qualquer coisa. E aí me mato de raiva, pois tantas vezes que eu precisei falar na hora certa o que era certo, eu não sabia como e nem por onde começar.
Nunca sei quando tô de TPM e se é TPM mesmo ou quem sabe é só meu gênio forte de sempre. É uma dúvida que nem me incomodo também em tirar. Prefiro pensar que não tenho essas coisas.
Ah! E mais uma coisa, tenho aquela atração ingênua pela televisão a qual me faz rir ou xingar meio mundo e quando me dou conta, sinto vergonha e alívio por ninguém saber.
Mas quer saber? Eu sempre fui por aí mesmo com esse amor todo que eu desconto no meu edredom agarrada com ele todas as noites imaginando que uma hora seja ele, o cara da minha vida e que na próxima vez seja eu a ser agarrada.
Acho que sou de um jeito tão transparente que deixei as portas fácilmente abertas pro mundo todo botar defeito quando quiser ou pro mundo todo discutir, debater, ou só bater porque é com umas porradas que a gente cria vergonha e aprende a crescer. Sei também que ninguém faz questão de saber as minhas histórias, de entender ou me pegar pela mão. É por isso que eu saio jogando tudo pra cima, balançando bem as mãos, jogando as páginas pelas ruas. Já que sou por aí, vou ser explicitamente, nas minhas coisas, a minha maneira,
na minha vida, do jeito que eu amo e nesse mesmo mundo quem sabe alguém que se depare com as minhas páginas jogadas pelos cantos, só por curiosidade, resolva começar a me achar.
2 comentários:
Tá se achando demais, nao é tudo isso nao
Agradeço o comentário, só mostra que o texto provoca o que eu queria.
Obrigada!
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